Tentarei não falar de hardcore aqui nesse blog. Jah me ajude.











sábado, 4 de dezembro de 2010

Vem cá apanhar



Ontem passei por um stress que me fez pensar em algumas coisas e logo vomitá-las aqui como se fossem um algo mal digerido dentro de mim. Presenciei uma briguinha chata e me senti acuada por não ter feito muita coisa para evitar aquela falação cheia de fagulhas de raiva.  O motivo? Bom o mais fútil possível, e como sempre brigas, mortes e violência sempre são geradas por motivos mínimos e sem sentido, algo que deveria ser relevado e evitado, é elevado ao mais alto cume da estupidez humana, partindo assim para uma agressão física e moral o que aos meus olhos é uma estupidez sem tamanho.

 Uns querem mostrar que são fortes o suficiente para “saírem no braço” com belos músculos criados em academias com anabolizantes, outros, por outro lado, tentam mostrar que as palavras sujas, grossas e de baixo tom vão resolver tudo ali naquela hora e ainda são capazes de dizer: ”não que isso, sou contra violência”, mas e a violência moral?.Essa talvez seja até pior que a física, pois ficará atracada ao porto da mente do ser ferido em questão, o deixará mal, depressivo, incapaz de raciocinar ou até mesmo de se reagrupar outra vez. Acho esse tipo de violência pior do que todas e juntas são o caos do mundo.

Já diziam os inteligentes “Violência só gera violência”, e quem disse que os que se dizem inteligentes e contra violência escutam essa linda verdade? Só querem mostrar para o mundo que estão aptos para resolver tudo ali, na hora a ponta pés porque passaram a noite toda no ringue do boxe treinando para esse dia. Uma conversa amigável resolveria tudo, porém difícil é se manter frio com alguém rosnando coisas horríveis pra você e como o ser humano é capaz de matar pelo ódio, nunca, nunquinha mesmo ele vai deixar seu ego ser ferido por outro Mike Taison, então em seguida vem a seqüência de socos e pontapés, tapas na cara e mordidas na orelha tudo regrado com muito sangue e um certo fulgor no olhar por estar “ganhando a luta”.

Obviamente meus queridos que somos seres humanos programados para errar e acertar, não fomos feitos de aço e se assim fossemos formados a vida perderia a graça. Porém a força que merecemos ter não é a da violência gratuita e sem sentido, porque ao invés de querer se vingar do mundo porque você quebrou o ovo errado e caiu fora da frigideira, você não pega outro e tenta outra vez, com calma respirando fundo? È Simples.Pode ter certeza que no fim você comerá um delicioso ovo feitinho com cebola e com uma pitada de paciência. Uns dizem: O que seria do amor se o ódio? Posso responder? – Seria lindo e perfeito. Uma feliz condição, condição esta que é impossível para a vida deste planeta. Bom ficarei aqui no meu canto refletindo sobre tudo isso, e se esse meu texto sem muita concordância verbal te pareceu bom, reflita também.

 Quer brigar com alguém hoje? Aproveite que o céu está lindo, que temos açai na geladeira e que  vai fazer um dia perfeito, arranque a orelha de quem você odeia e seja feliz.


Babaca!

Etiqueta : Como quebrar um copo

Se você é incapaz do imensurável prazer que é estilhaçar um copo na parede, seja por ser muito observado, educado ou tímido — não importa ―, basta seguir o seguinte protocolo:

Coloque um copo de vidro sobre a mesa — pode ser no café da manhã, em um almoço familiar, ou quando você estiver sozinho numa tarde de ócio.

Embace a cabeça e a vista.

Delicadamente, empurre o copo com os dedos — anular e médio — e quando o estômago comprimir e lhe faltar o ar , e só então, finalmente deixe que o copo estoure no chão.

Haverá um som e uma imagem. Não haverá resposta, nem nome, mas uma frase: “Um copo quebrado”.

Um copo quebrado... Já é alguma coisa. Para mim, o mundo.

E pra ficar bem chique ― e caso alguém venha correndo com uma pá — diga “não, não, deixe que eu mesmo varro” e faça questão de varrer, pelo segundo grande prazer de quebrar um copo: ver os caquinhos esbranquiçados caírem como uma fonte, um véu de noiva gigante, cascateando, imagine, da varanda até a rua, e o som de um bilhão de cristais, taças, taças de cristais e a cara das pessoas, tudo. Tudo, tudo, tudo, dentro da lixeira.

Quebrar um copo.

Eficiente, sem baixaria. Um jeito discreto de pirar de vez.

Pessoas difíceis

O que é uma pessoa fácil? Fácil de decodificar deve ser ― fácil de levar pra cama, provavelmente. Talvez sejam fáceis de viver, fáceis de gostar, como essas de voz doce, meio "burrinhas" e muito felizes. Não trazem segredos, nem desafios, mas oferecem braços abertos e uma boca bonita. E não basta? 

É uma pena não ser uma pessoa fácil, porque não é fácil ser uma pessoa difícil: Não assistem novela, apreciam a diversão, mas não ficaram loucas pela Lady Gaga e também não jogam bola ― aliás, nada pior para uma pessoa difícil, do que fazer supermercado em tempos de copa, aquele mar de verde e amarelo, patriotismos e emoções mil, e o difícil ali sem entender nada... E de vermelho.

Os difíceis são assim: juram de pés juntos que irão fazer e acontecer no sábado, e acabam dormindo maquiados no sofá da sala, mas são capazes de desafiar os médicos e aparecerem deslumbrantes, depois de ter recusado todos os convites, só pra roubar a cena mais uma vez e não dar paz aos invejosos.

Difícil gostar de um difícil: Primeiro porque estão sempre magros e parecem não envelhecer nunca, segundo por que não são de falar muito, embora, bem verdade, quem gosta, não gosta, ama, como os amigos, seus maiores fãs.

E  só mesmo amigo pra aguentar um difícil, porque namoro não existe, afinal, as pessoas percorrem caminhos, até estradas, para chegar a alguém, mas labirintos? Já é pedir demais. E as pessoas difíceis pedem, pedem não, exigem o impossível.

Mas apesar de tudo, a impressão que eu tenho, e pode ser apenas uma intuição errada, é que pessoas difíceis são simples, são até muito fáceis. Precisam apenas de alguém que veja através do rosto, entenda sem fazer muitas perguntas, beije sem pedir licença.

Arrisco dizer que amam muito, são românticas ao extremo, mas talvez prefiram bilhetinhos em guardanapos ao invés de cartões gigantes, cheios de dizeres prontos. E algo me diz que são as mais loucas, mesmo que pareçam calmas ― fazem isso só para tirar o outro do sério, mas choram, sim, escondido ― para manter o que restou da dignidade.

Para encontrar um difícil, talvez seja muito mais fácil do que procurar em um estádio de futebol ou uma rave lotada : Tente um café, ou um nariz.

Tudo isso é suposição, naturalmente, mas de uma coisa eu tenho certeza:  os difíceis sofrem muito. Sofrem porque as pessoas acreditam muito facilmente em tudo, basta uma atuação, uns braços cruzados e pronto, é de ferro! Mas é de vidro.

Mais triste que isso, só uma terceira categoria de pessoas. São as pessoas que parecem fáceis, dessas com rosto de criança e mãos pequeninas, mas que quando abrem a boca, a voz sai áspera, ríspida, cheia de idéias, e olhando de perto os ombros são ossudos e largos e o olhar é duro e vivo e questionador. Decepção total  pra todo mundo que se encanta de longe.

Posso até escutar o pensamento: 

“Que pena, parecia tão fácil... Mas não passa de um horrível e difícil, difícil.”