Quando pinta uma nova paixão é sempre assim: o coração fica grande porque parece que do nada cabe mais amor do que seria possível caber ― ou talvez o coração fica é pequeno, porque parece que enche tanto que não cabe mais nada. É, não sei. Mas todo o resto perde a graça e só quer ser a nova paixão e acabou, e que ninguém interrompa quando você estiver sonhando, traçando com um lápis todos os planos e futuros — juntos, claro: você e a nova paixão.
Nova paixão também pode ser conhecida como “paixão no comecinho”, sempre bom, a melhor fase: tudo é novidade e vontade, e não se cobra nada além do impossível — e nunca é chato exigir atenção o tempo todo e toda exclusividade do mundo.
Uma vez eu disse que não queria me apaixonar nunca mais, pura bobagem: paixão não tem nada a ver com querer. E querendo ou não hoje me apaixonei.
E admito que cada dia que passa fico mais volúvel — para não dizer infiel —, mas ao contrário da maioria, em minhas infidelidades, ninguém nunca sai magoado e cada vez que me encontro com as paixões, novas e antigas, é sempre um novo comecinho, e é super moderno porque ninguém é de ninguém e pode-se querer tudo, e tudo pode terminar ali mesmo.
Por exemplo, hoje. No caminho de volta pra casa, me apaixonei pela chuva e flertei com a fotografia. (Não sei se vai durar, provavelmente não, mas foi de tirar o fôlego.)
Não, eu não me acho estranha — apesar do que dizem.
Afinal... que mal há em não se apaixonar ― nunca — pelas pessoas, quando se vive ― sempre — um empolgante romance com a vida?
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