Meu avô era um contador de histórias de mão cheia, mesmo com toda a dificuldade que tinha de se lembrar das coisas que viveu e de coisas que ele inventava pra gente cair na risada ou chorar de emoção, mesmo assim ele adorava sentar na varanda de casa, naquela velha cadeira verde musgo de balanço que já estava gasta porque ali ele viveu grande parte de sua velhice sentado, pensando, talvez lamentando algo. Eu adorava olhar para ele e ver que ali havia muita vida ainda e ao mesmo tempo já se ia metade dela, adorava os cabelos crespos branquinhos, sinal de quem já deixou seu legado na história. Ele gostava em especial de contar a história de um soldado que foi a guerra para provar a família que ele era capaz de se tornar homem sem ter que se casar ou ter filhos, um soldado independente cheio de sonhos, jamais se prenderia a uma lástima de casamento não precisava disso. Era forte, capaz e impetuoso, aos poucos se tornou capitão e foi o mais feral de todos, matou tantos na guerra, números horríveis de cadáveres que para ele eram inimigos de sua pátria, matava sem dó estava ali para isso, era sua missão e não abandonaria sua guerra. Passando-se os anos de mortes, destruição bombardeios ele retorna a sua casa cheio de seqüelas, ferimentos e traumas. Todas as noites ao dormir pesadelos, sons de armas de fogo e tanques de guerra vinham atormentar seu sono, perturbar sua paz e desencorajá-lo de viver. Em uma manhã ao sair pela rua, sentou-se a frente de uma majestosa árvore, com belas folhas verdes e frutos tão bem vistos que se pensava em jogar uma pedra em direção de alguma daquelas tentações. Ao pensar no modo como faria isso, sentiu um leve perfume de flores do campo, entrou em suas narinas e o fez viajar distante, nem queria mais voltar não tinha vontade o perfume era tão agradável que se esqueceu até do fruto danado de bom daquela árvore, achava-se até que a mesma sentiu ciúmes do perfume que ali se infiltrava, mas era impossível resistir aquele aroma. De onde estava vindo e porque o fez viajar a milhas sem ao menos sair do lugar? Um cesto cai no chão. Uma bicicleta cai no chão. Flores caem no chão, uma linda donzela achou de cair justamente naquele mesmo chão, chão do temido capitão que já tinha em mãos a pedra para o fruto e que largou no momento em que a donzela cheirosa ocupava seu espaço. Era dela aquele cheiro de mulher de campo, era dela os sonhos de um soldado que foi pra guerra para fugir do amor, era dela toda aquela vontade de virar homem em pura independência... A ela pertencia à vida dele e só a ela ele entregaria, soube disso no momento em que a ajudava a se erguer daquele fútil tombo. Olharam-se, estudaram-se os olhares, se apaixonaram e casaram-se e ele jamais se arrependeu de ter formado uma linda família com sua amada. Meu avô disse que não se deve fugir de nada, principalmente do amor,você pode ir aonde quiser e tentar se esconder, mas ele acha você e quando acha te derruba e você aprende a gostar desse tombo. Disse também que o soldado não merecia por julgamento social ter um final feliz sendo que fez triste muitas famílias, mas todos nós temos direito a felicidade plena. O importante é: escolher um meio de se chegar a ela sem ferir outros e chegar lá com a mente limpa e o coração leal.

eu gosto do jeito q vc escrever...
ResponderExcluirq por sinal... escreve muito bem...
não pare de escrever....pq esse seu pequeno amigo aqui.. gosta de ler...
não importa os obstaculos...
continue...
bjo grande!