Todo mundo traz dentro de si um pouco das idéias dos pais, das manias, boas e ruins.
Eu aprendi a não olhar muito para o passado, e não olho, mas penso; e de vez em quando escorrego.
"O passado já passou, já foi, olhe para frente!" E com essa frase fecham-se os álbuns, trocam-se os CDs antigos — sempre por novidades modernas.
Hoje entendi o porquê desse medo todo de olhar para trás: Dói, só isso. Mas não é dor de saudades, não estou falando dessas humanidades, lógico que estou, mas estou falando de outras.
Veja: Não me machuco de saudades, me machuco de inocência, isso sim. Observar nos olhos de todos nós o quanto não sabíamos de nada, voltar páginas, anos, 2005, 2003, 1998, 1985, e ver ali, estampado na cara: Não sabíamos.
Não sabíamos que ela, quem diria, iria envelhecer tanto de tão feia, ou que fulano iria morrer um pouquinho depois, um pouquinho antes, de realizar aquele sonho besta, bobo, feliz, de escutar música no carro. Não sabíamos que não adiantaria fazer tanto regime: O amor nunca iria notar. Não sabíamos que era bobagem sofrer tanto, todo mundo passaria em matemática. Ai , que não sabíamos que era nossa última chance de fugir de casa...
Não entendo essa mania de registrar o rosto a todo o momento, que é sempre momento de não saber, que é sempre registro de uma inocência condenada.
Vou voltar ao normal, já vou.
Pronto, voltei.
Acabei com isso de uma vez. Olhei agora para o espelho, olhei firme, e disse "VOCÊ NÃO SABE", e foi tanta verdade, tanta aspereza, que minha voz falhou, e chorei, mas só um pouquinho — mas bem e com gosto.
Agora eu sei que eu não sei. E passou.
E posso olhar para frente, porque sei, não sei, e não serei vítima coisíssima nenhuma.
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